segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sarau da Taba - Sábado a partir das 15h00 – 04/12/2010





Sarau da Taba:

Dia 04 de dezembro, sábado, a partir das 15h00, irá acontecer o último Sarau da Taba de 2010, com o encerramento festivo das atividades da Taba, que no dia 01 de janeiro de 2011, entre fluxos e refluxos, completará 6 anos de atividade.

Acontecerá também a Noite de autógrafos dos livros dos ilustres membros da Taba, "Os que não leram Os Sertões fizeram do mesmo um livro difícil", de Aristides Theodoro e "Estilhaços Urbanos", de Macário Ohana Vangélis.

Estão desde já todos convidados a participar com sua arte, em uma agradável casa bandeirista e seu clima secular, onde todos tem voz e vez..



Local - Museu Barão de Mauá
Centro de Referência da Memória e História da Cidade
Av. Dr. Getúlio Vargas, 276 – Vila. Guarani – Mauá – SP - Telefones: 4519-6456

Sábado a partir das 15h00 – 04/12/2010





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

“Sapatos”, poema de Charles Bukowski


Charles Bukowski | Tradução Alice Dias



quando voce é jovem
um par
de sapatos
saltos altos
femininos
apenas
sentados
bem
perto
ao teu lado
sozinhos
podem
incendiar
seus
ossos;
quando voce é velho
eles são
somente
um par
de sapatos
vazios
e
é
isso.


Fonte: http://www.literaturaemfoco.com/?p=3148

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Blogagem Coletiva - Dia de Amar Seu Corpo 2010 - 20/10/2010





Dia de Amar Seu Corpo





A partir de quando olhar um espelho passou a ser um castigo? Podemos dizer que a partir do momento que a mulher (ou sua imagem) passou a ser uma mercadoria, este martírio começou. Ora, temos um tratado de filosofia partindo do alemão Kant, que nos afirma que o ser humano não pode ser uma mercadoria porque é dotado de dignidade. Ao preço de uma imagem falsa de beleza, vende-se esta dignidade. Troca-se a emancipação pela submissão.

Dignidade, talvez esteja nela a raiz do problema, pessoas sem dignidade se submetem aos caprichos do capitalismo, do poder, e ou do falso desejo. A sociedade de consumo substitui com requintes, a opressão religiosa perpetrada contra a mulher pelas religiões monoteístas; os pilares do pensamento ocidental. O reducionismo e a focalização do sexo, a supressão do orgasmo como fonte de prazer,  a deformação estética do corpo, a criação de factóides via propaganda direta e ou indireta, através de merchandising nas novelas e blockbusters, minam a resistência crítica de qualquer uma. Já dizia Goebbels, uma mentira repetida a exaustão se torna verdade corrente. A revista Vogue, os canais tele-evangélicos, a mídia burguesa, são o Martelo das Bruxas de nosso tempo, e a determinação de biótipos é a indelével tortura, uma que penetra na alma antes mesmo do corpo.  Os carrascos somos nós mesmos, eivados de uma mentira.

A sociedade paternalista impede o crescimento espiritual e físico da humanidade. Será a mulher nossa redentora? Sim, o dia em que a mulher se emancipar completamente, não tenho sombra de dúvida, que a humanidade ascenderá para um patamar de desenvolvimento maior.
 
Hoje é dia da mulher se olhar como realmente é, e como realmente deve ser, uma criatura amada e querida, não parte da mobília, ou um eletrodoméstico que realiza todas as tarefas. Amemos nosso corpo como ele é, a perfeição é um estado de espírito. amemos o espelho porque ele é nossa real imagem.




http://duplamentevenusiana.blogspot.com/2010/10/blogagem-coletiva-dia-de-amar-seu-corpo.html

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vermelha




Edson Bueno de Camargo

a tarde cai
abrupta
e vermelha

nos subterrâneos
e nos subúrbios
em seus muros
necromantes desajeitados
geram um mundo deformado





exercício de criação 5 - Gambiarra Literária
http://gambiarraliteraria.blogspot.com/2010/09/exercicio-de-criacao-5.html

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Babel



Edson Bueno de Camargo

esta casa
cobre minha cabeça
mas não mais me abriga


minhas pilhas
de livros pelos cantos
são ruínas
de papel






exercício de criação 4

08/09/2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

sombrinha de doze varas




Edson Bueno de Camargo


1

sombrinha de doze varas
sobre o pano
dormem quinquilharias

“compra senhoro”
a mulher tem cabelos brancos
e sotaque romani

a cigana insiste
guarda-chuva chinês de muitas cores
buquês de flores
transbordam cores na seda falsa

(está caro
penso
não compro)

“faz mais barato
paga diferença depois”

já não ouço mais
minha mente já está longe
rouba o cinza do céu
e dos olhos que me fitam
uma certa indiferença

2

a árvore morta
serve de moldura
a fotografia que não tiro
(esta será só com os olhos)

pequenos pássaros
na distância parecem pretos
hoje o dia está com pouca luz

3

flores de dente de leão
pedem o sol
que a tarde nos nega

sua cor destoa
do que nossos olhos esperam




4

a mangueira
tem tantas flores
que lhe pedem os galhos

não sabe a planta
não estar em um vale
ensolarado do Ghanges ou do Indo

faz o papel ambíguo
de florescer neste planalto frio
a guardar o silêncio do horizonte esbranquiçado


5

nada muda o que sinto
a tarde só fala o que está dentro de mim

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cora Coralina > Sapato velho

Não há nada que dure mais do que um sapato velho
Jogado fora.
Fica sempre carcomido.
Ressecado, embodocado,
Saliente por cima dos monturos.
Quanto tempo!
Que de chuva, que de sol,
Que de esforço, constante, invisível,
Material, atuante,
Silencioso, dia e noite,
Precisará um calçado, no lixo,
Para se decompor absolutamente,
Se desintegrar quimicamente
Em transformações de humo criador?

CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais.  São Paulo: Círculo do Livro, p. 67.