sábado, 12 de dezembro de 2009

Da série: sapatos famosos


JAZZ

sobre o que me vai na alma sobre
sob o que vaia n'alma: assombro
um som de sax e lábios vermelhos
e um desejo de confessar um dos inconfessáveis:
_Eu...
Thelonious Monk sorri da minha imprudência
e me lembra que a vida é uma tragédia com calda de caramelo
ao meu redor o município de Mauá gira como uma baiana da escola de samba no grupo de acesso
e eu cometo esse poema como o menino que jura a Deus não mais se masturbar
Thelonious
marca o compasso com seu sapato lustroso, combinando em nada com a toquinha de lã
ele é Deus, o piano é o Diabo e nós somos a música
este acorde, por exemplo,
era eu.
JdB
Outra coisa!
Fiquem à vontade para sugerir outros sapateiros para engrossarmos nosso sindicato.
Para os novos: uma "regrinha" que a gente estipulou logo no começo: comentar os textos uns dos outros, então, postar aqui é por a cara a tapas (ou a sapatadas). E pra quem quiser, ainda está em aberto o eixo temático "SAPATOS FAMOSOS" eu gostei do que foi produzido, acho que dá até um fanzine e o Chris poderia até procurar um patrocínio em Franca.

Abraços
Viva a Taba e Evoé, Baco.

JdB
RECADO DO ADMINISTRADOR

Sapateiros!
Já que há tanta energia solta no ar, sugiro que escolhamos algum inimigo em comum para concentrarmos nossas sapatadas. Não gostaria que repetíssemos aqui as discussões da Semana de 22 ou do Congresso Regionalista do Recife, seria árido, chato e inútil. Ao invés disso, sugiro que retomemos aquelas provocações sobre TAZ e Luther Blisset, e que pensássemos seriamente em ações conjuntas efetivas, visuais e ousadas. Que tal?

Um abraço!
Viva a Taba e Evoé, Baco.

JdB

O NÃO-POETA



Se a poesia já não faz sentido

Se não dá mais ouvido

Ao clamor dos mais fracos


Não é poesia o que faço!



E se o amor

E a dor que confesso

Já não cabem no verso,



Ser poeta: é o que quero?



Se ao fazer poesia

O que penso e sinto é o que expresso



Se ao fazer poesia

Eu só sei ser sincero...?


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

POBRE RIMA

Havia um menino
que desde pequenino
se sentia sozinho
em seu próprio universo

E aquilo que sentia
e mais ninguém compreendia
o menino escrevia
num caderninho de versos.

E tudo lhe inspirava

O beijo que não recebeu
do seu primeiro amor.

A surra que lhe deu
o padrasto ditador.

O desprezo que não mereceu
da mãe que tanto amou.

E assim foi crescendo
vivendo e aprendendo
mas não entendendo

por que a vida lhe era ingrata
por que só ele achava graça
em dar e receber.

Até que um dia descobriu
o por quê não se encaixava:

pertencia a outra raça
conhecida por POETA
uma espécie de profeta
Que prega amor e paz.

Então disse a si mesmo:
“Chega desse mundo horrível
que só tem gente insensível,
que não pensa em ninguém mais

nem que leva a vida inteira
vou achar uma maneira
de encontrar os meus iguais.”

Para sua felicidade
soube que havia na cidade
um recital acontecendo

e sem conter o entusiasmo,
caderninho em baixo do braço
dirigiu-se ao evento.
lá chegando encontrou
uma TRIBO reunida
numa festa esquisita
conhecida por SARAU

ele, atento e calado
assistiu ser recitado

poemas diversos
de palavras sem nexo
que nada lhe diziam

Perguntou-se: “O que sentiam
escrevendo algo assim?

Cadê o amor, a amizade
a paz, a luta pela igualdade
cadê a POESIA, enfim?”

então um mestre poetista
lhe explicou por que diferia
o que era recitado
do que ele havia imaginado:

“Esse sentimentalismo
amor bobo de menino
rimas pobres,
intenções nobres
não tem lugar mais aqui não

Para ser contemporâneo
ao se fazer literatura
não é necessário métrica,
rima lógica ou censura

não se requer nem coração!

É só falar o que vier na telha
Assim, de qualquer maneira
O absurdo é que é bom

seja abstrato, hermético,
use parênteses, colchetes e cortes
da crença alheia, deboche
e certamente alcançara o sucesso.”

E rapaz obsorveu
A lição com tal cuidado

que hoje é escritor premiado
vinte livros publicados
Cheio de menções honrosas
E poesias, nem tão fabulosas.

- Marcos Roberto Moreira

Link para o Blog Pulsarte!

Link para Aventuras do cotidiano Fantástico

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ECOULTIMOATO

Estou cansado de escrever
Ler

Poetas não sabem de nada
São uns merdas
Tentando se defender com justificativas vãs

Senhores donos de verdades tão absolutas quanto a bosta que eu
Fiz
E se foi
E não voltou mais
Mau
Pro colo dos animais
Miau
Auauau
Nem deu tchau!

Estou insatisfeito com a vida de literato
Com o "coma" da vida dos literatos
Como eu como os literatos
E intelectuais e sábios e gênios e monstros sagrados de Umbanda?

Gente que nem ao inferno se oferta
Se ofenda
Oferenda
Que se foda
Quem quer fodas?

Escrevi para não ler
Mas se lerem
Devem me desprezar

Chorar sua sorte
Rir do meu azar
Lamentar, sublevar e lamentar

Um poeta deve se alienar
Se desligar
Se desvencilhar
Se cortar
Rasgar
Largar de mão
Qualquer caneta, lápis, borracha, sensação

Qualquer poesia é um sermão

Qualquer dia ainda quebro sua mão
Sua mente
Sua cabeça
Sua pupila
Seus ouvidos
E seu pênis metido
Na sua vagina alheia

Poeta, poesia, musa, maresia e sereia

Hoje eu quero matar alguém
Por prazer de torturar
Por prazer o sacrificar
Pro meu prazer e do meu bem

Mas como isto não é possível
(Amanhã acordo esquecido do que passou, com medo do que virá e poeta como sou)
Só faço o "impalávrel"
Cuspo letras e digo ser arte
Escarro na sua cara, seu olho, sua mente e qualquer parte

E penso:

Ser poeta é ser divindade!

Grande bosta deve ser o ser que é um ser em Deus
Pobre são os pacatos pecados meus
Eu's
Eu's
Eu's
Eu's...