Havia um menino
que desde pequenino
se sentia sozinho
em seu próprio universo
E aquilo que sentia
e mais ninguém compreendia
o menino escrevia
num caderninho de versos.
E tudo lhe inspirava
O beijo que não recebeu
do seu primeiro amor.
A surra que lhe deu
o padrasto ditador.
O desprezo que não mereceu
da mãe que tanto amou.
E assim foi crescendo
vivendo e aprendendo
mas não entendendo
por que a vida lhe era ingrata
por que só ele achava graça
em dar e receber.
Até que um dia descobriu
o por quê não se encaixava:
pertencia a outra raça
conhecida por POETA
uma espécie de profeta
Que prega amor e paz.
Então disse a si mesmo:
“Chega desse mundo horrível
que só tem gente insensível,
que não pensa em ninguém mais
nem que leva a vida inteira
vou achar uma maneira
de encontrar os meus iguais.”
Para sua felicidade
soube que havia na cidade
um recital acontecendo
e sem conter o entusiasmo,
caderninho em baixo do braço
dirigiu-se ao evento.
lá chegando encontrou
uma TRIBO reunida
numa festa esquisita
conhecida por SARAU
ele, atento e calado
assistiu ser recitado
poemas diversos
de palavras sem nexo
que nada lhe diziam
Perguntou-se: “O que sentiam
escrevendo algo assim?
Cadê o amor, a amizade
a paz, a luta pela igualdade
cadê a POESIA, enfim?”
então um mestre poetista
lhe explicou por que diferia
o que era recitado
do que ele havia imaginado:
“Esse sentimentalismo
amor bobo de menino
rimas pobres,
intenções nobres
não tem lugar mais aqui não
Para ser contemporâneo
ao se fazer literatura
não é necessário métrica,
rima lógica ou censura
não se requer nem coração!
É só falar o que vier na telha
Assim, de qualquer maneira
O absurdo é que é bom
seja abstrato, hermético,
use parênteses, colchetes e cortes
da crença alheia, deboche
e certamente alcançara o sucesso.”
E rapaz obsorveu
A lição com tal cuidado
que hoje é escritor premiado
vinte livros publicados
Cheio de menções honrosas
E poesias, nem tão fabulosas.
- Marcos Roberto Moreira
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