domingo, 11 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Os Sapatos de Luther Blissett

Nos últimas dias do século XX, após uma manifestação contra os hambúrgueres, furiosamente dissolvida pelas balas de borracha dos cães acéfalos (guardiões do conforto das poltronas privadas), foram deixados no chão 111 sapatos sem nenhum que formasse par. Todos traziam as iniciais L.B. e um número de telefone que dava para uma gravação que dizia:
_Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou: Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou: Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou: Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou: Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou: Era uma vez um rei e uma rainha. Então o rei disse: “Conte-me uma história!” e a rainha começou… (vai diminuindo sem nunca parar)

Luther Blissett

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

All Star - Se morio La Negra





eu usava All Star velhos
com coisas escritas com esferográfica nas partes brancas
nossos pés tinham ideologia
pisávamos no chão com leveza
pois a cabeça era feita de nuvens

havia uma canção no vento
e essa voz tinha nome
se morio la Negra
que vai cantar
"Canción Con Todos"

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ouroboros




sem fim
sem chegar
todos os caminhos me estão postos
e não tenho pés para nenhum

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"O que é um santo? Um santo é alguém que conseguiu realizar uma remota possibilidade humana. É impossível dizer qual é essa possibilidade. Eu acho que tem algo a ver com a energia do amor. O contato com essa energia resulta no exercício de um tipo de balanço dentro do caos de nossa existência. Um santo não resolve esse caos; se pudesse o mundo teria mudado há muito tempo.

Não acredito que um santo dissolva o caos nem para si mesmo, pois há algo arrogante e tipicamente guerreiro na concepção de um homem colocando ordem no universo. Sua gloria é um tipo de equilíbrio. Ele desliza à deriva como um ski solto. Seu curso é a carícia do morro. Sua marca é o acúmulo de neve naquele momento específico, arranjado pelo vento e a pedra. Algo no seu interior ama o mundo de tal maneira que ele se entrega para as leis da gravidade e o acaso. Longe de voar com os anjos, ele traça com a fidelidade de uma agulha de um sismógrafo, o estado da sólida paisagem. Seu lar é perigoso e finito, mas ele esta à vontade no mundo. Ele consegue amar as formas das coisas humanas, as formas finas e tortas do coração. É bom ter entre nós tais homens, tais monstros equilibradores do amor.
Leonard Cohen, Beautiful Losers (1966)"


tenho sapatos rotos

Edson Bueno de camargo

riscados de pedra e ladeira abaixo
tenho sapatos de pedra branca
e a terra insalubre de minha infância
o saibro que se desfazia ao vento e a água
e da infâmia acústica de meus ouvidos

tenho os pés lavados de agora
na torneira da chegada
e asas de santo vagabundo de estrada

tenho a beatitude do agora
e o medo obscuro que nunca me chegue a morte

tenho asas dobradas dentro de sapatos rasos
rasgadas à seda de uma lágrima
calçados de caos e areia diluviana

antes a dúvida perturbadora
dos incensos e sírios nas igrejas
da fé não respondida
à certeza que carrego agora

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Toca Raúl

Um Poema Porrada

Uma Homens/Agem a um desses sapateiros que nunca se acomodaram ao seu Sapato.

Um Poema Piada

_O Raúl morreu?

Não!!! Quem morreu foi o Elvis...
Você está se confundindo.

Um Poema Pronto

* 28/06/45 - + 21/08/1989 - + 21/08/2009 - *00/00/...

Ele nasceu! Ele morreu! 20 anos da morte! Eternidade em vida.

Um Poema Parado na Poesia Presa Por Poucas Palavras

Um abço Raúl, daquele jeito!















Sapato 36
Raul Seixas

Composição: Raul Seixas

Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez

Pai eu já tô crescidinho
Pague pra ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto
E andar do jeito que eu gosto

Por que cargas d'água
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar

Por que cargas d'águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo-me embora
Eu quero partir sem brigar
Já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar (Êêêê)
Que não vai mais me apertar (Aaaa)
Que não vai mais me apertar (Êêêê)

Ainda não aprendi a postar vídeos. Vai o link da música no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=m_W3uks6be8

domingo, 16 de agosto de 2009

Sapato Só

São cem gramas de poeira
Sufocando o meu pisar
Nesta terra sem fronteira
Neste choro sem seu mar
Eu pisava
Eu sentia o meu pé se condensar
(Não aquele do sapato
Mas aquele sem seu lar)
Eu sentia uma angústia que arrepia na tristeza e na alegria e na hora que partia
Eu sentia a apatia que se ia, que se ria, que não via que perdia
Onde foi parar o outro par deste par sem par
Este ímpar par que não se acomoda
Este sapato está fora de moda
Mas e o outro que pelado está?
O que é que há?

Fui-me embora
Sou um reflexo que não se vê
Sou minha aversão
O cúmulo da contradição de se contradizer sem ao menos ser o palhaço que quero ver

Um sorriso íncolume
Ousou o condenar a força bruta
Dos olhares tenebrosos
Da dor alheia

Sou a foice que centeia
A vida além da morte

Mas meu pé toca no chão
Um que diz que sim
E outro que diz que não

Chris Clown Oliveira