quinta-feira, 17 de julho de 2014

o livro: “um pedaço de chuva no bolso”

Sobre o autor: Simplesmente Neres

Ele procura brechas nos detalhes das imagens para mergulhar. Depois do salto, só há a entrega, e ele, então, é todo novas criações.

Neres é assim: onírico, mítico e metalinguístico; fazedor de macumbaria poética, exercita-se, a cada dia, como multiartista. Seus mil espelhos refletem o arte-educador, o produtor cultural, o ficcionista, o roteirista, o poeta, o compositor, o intérprete e o pai da Gabriela e do Vinícius.

Tem ainda outros três filhos de tinta e palavras: Pássaros de Papel, Outros Silêncios e Olhos de Barro. Além do quarto rebento de poemas em prosa que está a caminho, pensa em gravar seu primeiro CD com composições próprias.

Sobre o livro: “um pedaço de chuva no bolso”, no site: Editora Kazuá.

://editorakazua.com.br/autor/neres/

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como adquirir "Um pedaço de chuva no bolso", quatro livro de Neres, publicação Editora Kazuá (2014).

Como adquirir "Um pedaço de chuva no bolso", quatro livro de Neres, publicação Editora Kazuá (2014).

Com o autor (autografado especialmente). No site da editora, e na Livraria Cultura.

e-mail de contato: outrossilencios@gmail.com

quinta-feira, 24 de abril de 2014

UM PEDAÇO DE CHUVA NO BOLSO DO SACERDOTE, por José Inácio Vieira de Melo

UM PEDAÇO DE CHUVA NO BOLSO DO SACERDOTE
José Inácio Vieira de Melo



José Geraldo Neres é um orixá da poesia, um poeta de terreiro que, com sua flecha de anjo trágico, acende as asas da emoção. Nos olhos de barro de Neres outros silêncios se anunciam, prenhes de signos, para compor a sinfonia do acaso. Neste novo livro, Neres, sacerdote inominável que carrega  um pedaço de chuva no bolso, segue por uma tempestade de metáforas, advindas de um longínquo abismo que abriga no peito. Alquimista do ABCDE, sopra dois dados no ar e nos mantêm suspensos na expectativa dos sonhos que brotam dos textos da sua escritura polifônica. Desde a estreia, com Pássaros de papel, Neres vem desenhando um outro Sol, com a sua macumbaria poética, em cada gesto e verso que compõe, realizando as núpcias das palavras estrangeiras, criando um código pessoal repleto de magia e de assombros. Aliás, a poética de José Geraldo Neres estende fronteiras, ao abarcar territórios desconhecidos, e sua criação prescinde de rótulos, é um fazer em si estendido ao outro, a derramar-se em possibilidades, em caminhos e encontros. Um poeta assim, tão cheio de vazios e de amplidões, só pode despertar florestas de arrepios.

Texto da contracapa do livro Um pedaço de chuva no bolso (Editora Kazuá, 2014).

Visite o projeto Macumbaria Poética - Arte ancestral afroameríndia.
https://www.facebook.com/MacumbariaPoetica

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

agradeço a todas e todos pela energia vital que move, mesmo sendo censurado, vou continuar!

serei breve (tentar é possível), tento manter minha estética a qual me dedico desde a década de 90, sempre foi discípulo das narrativas e das vivências, utilizando o aprendizado de meus 47 anos. a imagem a provocar microcosmo& macrocosmo. beber na água ancestral requer olhar atento e disciplina. gostar dos detalhes e do silêncio.

não se surpreenda com o detalhe das sete artes dos saberes e dos sabores: no antigamente existe apenas uma arte, simples isso: era e deve ser "o corpo", e além dele as modificAções do tempo.

tento ser o mais objetivo possível, mas o bicho da póética habita nesse corpo e caminha nas escamas e nos meus ossos. e a rima é FU!.

agradeço a todas e todos pela energia vital que move, mesmo sendo censurado, vou continuar!

beihjos&abraços&tudojunto&misturado!
https://www.facebook.com/MacumbariaPoetica

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

FANPAGE: “Macumbaria poética – arte ancestral”


"no meu caminhar de aprendizagem tem fundamentos básicos e universais: ancestralidade, não entende? olhe para o espelho reconheça sua face, toque o seu corpo, feche os olhos e repense seus passos, toque o seu corpo, toque o seu corpo, pronto? socorro de quem é? continuar a caminhar: conselho das sete artes que eram no antigamente: uma, o corpo. ou 'humanidade'"

Através da ancestralidade podemos recriar esse mundo e ir além de nós mesmos. O mundo e o "outro" batem em nossa janela, propõem um diálogo, o movimento a virar nossas raízes.

Biografia: “Macumbaria poética – arte ancestral”: afroameríndo, diálogo, diversidade, e ancestralidade: (imagem poética =subversão da realidade). Projeto desenvolvido por NERES, José Geraldo: Produtor cultural, arte-educador, roteirista, dramaturgo, e pesquisador independente de cultura ancestral (dança, música, artes plásticas, artes cênicas, cultura popular, literatura, e outras). Poeta e ficcionista (autor de três livros, e com textos traduzidos para os idiomas: Espanhol, Galego, Basco, Italiano, Francês, e Alemão). *Vem o quarto livro autora: Um pedaço de chuva no bolso, editora Kazuá. 

Diversidade, diálogo, respeito, saberes & sabores: compartilhar as ondas ancestrais líquidas da simplicidade. ***afro-ameríndio***

http://youtu.be/4lSI7yB6bhI

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"UM PEDAÇO DE CHUVA NO BOLSO"; para abrir 2014! Já está previsto lançamento! Agenda? Agendar-se: Sim.

As amigas e amigos:

Sim, eu choro também, mas é assim! não poderia deixar de compartilhar essa alegria, tó muito Oxum.

---Meu próximo livro (prosa poética, ficção lírica): "UM PEDAÇO DE CHUVA NO BOLSO"; para abrir 2014! Já está previsto lançamento! Agenda? Agendar-se: Sim. É Kazuá! E será dedicado a Pai Xangô, e começa a navegar nas águas de fevereiro, mês que minha filha completa 19 anos!"

Assim comemoro mais um passo de aprendizado e saúdo o sagrado que habita em sua família!

O que dizer quando as teclas estão molhadas de água doce? Não sei, melhor desligar, deslizar, deslizar, avôhai, versão 4.7: pai de Gabriela e Vinicius Neres, e filho de Maria Odete. Oh choro bom!

Espero poder realizar uma atividade de vivência e lançamento deste novo livro. Será uma honra estar novamente com vocês.

Isso é vida circular: é Macumbaria Poética - Arte ancestral,


Borá caminhar!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Conversa iniciada - FELIZ VIPER NIVER! 2014!-- ou assim saúdo o mais sagrado que existe no mundo e saúdo você!

Conversa iniciada - FELIZ VIPER NIVER! -- ou assim saúdo o mais sagrado que existe no mundo e saúdo você! 

Aqui saudação, para: Dandara, ou - mensagem para todas que nascem, dom divino, inédito, e ou pode levar dom divino, inédito:

bom dia ao amor.família.amigos.diálogo.artedevassaesagrada de viver!
que o sol que está no mundo sempre ilumine seus passos, nossos passos, e que os caminhos tenham as flores de rima improváveis e ricas, o caminhar seja forte e belo nos passos de uma dança que só os apaixonados pela vida conseguem perceber e fazer os pássaros cantarem: bom dia.
é assim que saio para caminhar, é assim que desejo que seja esse dia (todos os nossos dias e de todos aqueles que amamos e queremos bem). dar um abraço nas nuvens e beijar os pés da ancestralidade na figura das crianças.
e assim se faz o caminho: mente criativa a beber a música divina e profana do viver: simplicidade!
vamos pra rua sentir o beijo do sol.
bom dia. boa tarde. boa noite. boa de madrugadinha!: vamos pra rua sentir o beijo do sol.

assim saúdo o mais sagrado que existe no mundo e saúdo você! parabéns! hábraços e beijos em saravá! e axé!


ou: só existe saber e sabores se são compartilhados, saber retido em um sorriso, é saber ancestral que vem no umbigo, borá caminhar.

borá caminhar que o mar é água primeira, e é femenina, fé de sol. e corpo divino.

borá borá que caminhar faz bem, un abrazo e beijo: afroameríndiokazua?

obrigado pelas vozes e ondas ancestrais, compartilhar saberes & sabores: sempre.

isso é! https://www.facebook.com/MacumbariaPoetica/info

by: Neres José GeraldoNeres JoséGeraldoJosé Geraldo Neres,Vinicius Neres & todas e todos neres do mundo!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Projeto (depois de censurado); chega à simbólica e mágica vitória: são mais de 449 vozes a partilhar e curtir essa teimosia ancestral que chamo: Macumbaria Poética – Arte Ancestralidade!

O Projeto (depois de censurado); chega à simbólica e mágica vitória: são mais de 449 vozes a partilhar e curtir essa teimosia ancestral que chamo: Macumbaria Poética – Arte Ancestralidade!

https://myspace.com/macumbaria.poetica
https://soundcloud.com/jos-geraldo-neres

Meu novo projeto e som: macumbaria poética - primeiro ato, em mp3, com direção e participação de Márcio Barreto (Percutindo Mundos); Peço Licença! EXÚ (O Guardião: “Àquele que vive a noite, que nos livre das emboscadas”)! LARÓYÈ! 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"Macumbaria poética" -Peço Licença! EXÚ (O Guardião: “Àquele que vive a noite, que nos livre das emboscadas”)! LARÓYÈ!

Quer escutar o primeiro ato do projeto (música inédita): "Macumbaria poética" -Peço Licença! EXÚ (O Guardião: “Àquele que vive a noite, que nos livre das emboscadas”)! LARÓYÈ! 

Direção e participação de Márcio Barreto (Percutindo Mundos). 

É Myspace! - https://myspace.com/macumbaria.poetica

Há um pequeno fragmento de "Olhos de Barro"; agradeço muito Editora Patuá por acreditar na minha poesia!

Vamos dialogar! Beber música ancestral, troca de saberes!
Grande dia para todos e todas, saúdo a vida, saúdo a arte de viver, a celebração e respeito: sabedoria ancestral! Agradeço ser um aprendiz e poder compartilhar e dialogar saberes!

Hábraços. Saravá & Axé!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Macumbaria Poética - Arte ancestral (DIÁLOGOS&RESPEITO=DIVERSIDADE&SABERES), (by) Negozébantupepetupinambázezinhonaladeiradoabc7golpes, e ou simplesmente: Zézinho, e ou Geraldo, e ou Neres, e ou meu nome magístico: "Nic"; aquele que vem antes do vinho; o advinho, e ou:

hoje (Leia até o final / Read to the end / Leer hasta el final): soul do sol ancestral. dá dó nas ladeiras urucun comes&damião. são dois e dois na gira a brincar de bom dia.

e fica assim:

!bate no peito. sou angola. sou a fumaça. seu medo. seu pesadelo. sou capoeira. na ladeira e na montanha. quero ver fumaça apagar o vento da criação e criar uma humanidade nova. quero meus colares e guias. quero o ouro a prata. quero a semente de aruanda. quero embolar meus irmãos e irmãs. quero ver roda girá. camará cacará. vamos embolar na capoeira. não fumaça ancestral o mundo não tem borda ou margem a gente é tudo junto e misturado. vem pra gira irmão!

?cantar minhas palavras de aprendiz ao lado de guerreiros e guerreiras: é água ancestral que me banha sempre; mas olhe a montanha: eu tenho os olhos vermelhos. não bloqueia eu mais não. (quer saber quem eu sou? olhe no seu espelho!).

-estilo: "metalforrotrashancestralnic"; macaxeira venenosa com sorvete de creme das águas garrçaaaaaaaaa. vem ai os "águias do oriente". quem vem?

-bom. queria dizer dia. queria dizer tanta coisa e talvez marcar um encontro musical com os "águias do oriente", mas você faceburro não entendi de música ou amizade além do circulo pequeno e infinito das amizades. então me passe um café. um suco. e deixa de me perguntar bobeiras. eita.

?!(7)= minha fé é meu aprendizado musical de vida e de amor. nela há música, há dança, há a pele dos atabaques ancestrais. há as ervas que iluminam e curam. há a justiça, há a criação, há a gestação, há o alimento e há fartura. há os mistérios do criador celestial (gosto de pensar nele no feminino; me desculpem mas águas tem esse sabor; bebo nesta água e continuo a viver a me renovar a celebrar a humanidade: respeito pela sabedoria e pratica dos mistérios magísticos de viver em harmonia e equilibrio natural e simples). acredito e tento fazer parte da minha caminhada de vida e aprendizado. bom dia, boa tarde, boa noite, boa de madrugadinha! amar a vida em toda sua tonalidade e intensidade e amor. sempre.

((&))=Um recado: fazer arte, é fazer arte, e não esquecer que temos que também lavar as louças, limpar a casa, e rezar para que os projetos sejam realizados, e continuar a acreditar que fazer arte é possível e necessário. Existe mais glamour em lavar, passar, limpar a casa, e continuar a acreditar que é possível acreditar algo. O sol nasce para todos; então vamos acreditar e realizar (acreditar apenas é inércia: tem que haver ação e reação). Que o Criador Maior sempre nos ilumine.

(by) Negozébantupepetupinambázezinhonaladeiradoabc7golpes, e ou simplesmente: Zézinho, e ou Geraldo, e ou Neres, e ou meu nome magístico: "Nic"; aquele que vem antes do vinho; o advinho, e ou: 
Macumbaria Poética - Arte ancestral (DIÁLOGOS&RESPEITO=DIVERSIDADE&SABERES).

---novamente digo: dia do bom dia! (quero ver esse dia!).

=desejo a você o melhor dia da sua vida, e de todas as vidas. em todos os dias: sempre e sempre. e não venha me dizer que você o sol está cansado; ele que vá escutar um pouco de música ou empinar uns anjos de rinke.

=desejo a você o melhor dia da sua vida, e de todas as vidas. em todos os dias: sempre e sempre. e não venha me dizer que você o sol está cansado; ele que vá escutar um pouco de música ou empinar uns anjos de rinke.

três é um bom número. então sol! músíca para caminhar nos trabalhos nos braços da vida! quero ver a gira gira!

Abraços a todos e todas. Saravá & Axé.
José Geraldo Neres / José Geraldo Neres / José Geraldo Neres / Macumbaria Poética - Arte ancestral / Olhos de Barro / & o Mestre Pupa Buddah Pupa

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pássaros de papel - Pájaros de papel, de José Geraldo Neres, edição bilíngüe. (mantendo o projeto original da edição artesanal DULCINÉIA CATADORA 2007), agora pela Antaura Ediciones (España).

Em breve meu primeiro livro estará nos braços de novos leitores! Qual livro? O primeiro: Pássaros de papel - Pájaros de papel, de José Geraldo Neres, edição bilíngüe. (mantendo o projeto original da edição artesanal DULCINÉIA CATADORA 2007), agora pela Antaura Ediciones.

Volume 1, capítulo I (a Dalila Teles Veras)
“gotas de dias, a janela abre, visita de vagalume”.
“gotas de días, la ventana abre, visita de luciérnaga”. 

capítulo II, (a Beth Brait Alvim)
“gênesis: relâmpago-pecado, corpos na muralha d’ água”.
“génesis: relámpago-pecado, cuerpos en la muralla de água”.

Volume 2, capítulo III, (a Claudio Willer)
“urbano: palavra sem força, brinca o silêncio”.
“urbano: palabra sin fuerza, juega el silencio”.

capítulo IV, a (Cláudio Feldman)
“ingênuo: sonho de inverno, no peito; os pássaros ciganos”.
“ingenuo: sueño de invierno, en el pecho; los pájaros gitanos”.


©Del portugués, José Geraldo Neres.
©De la traducción, Marcela Collins.
©Por la presente edición, Antaura Ediciones, 2013.
antauraediciones@hotmail.com

apresentações em português: por Ricardo Alfaya e Teruko Oda.
en español: Blanca Castellon, Oscar Portela, y Nicasio Urbina.

Obrigado Antonio Alfeca, por mais essa publicação. Obrigado.

Dulcinéia Catadora é um projeto-irmão do Eloísa Cartonera, que se propõe a oferecer a pessoas que nunca tiveram contato com a produção artística, a possibilidade de desfrutarem da criação. Todas as iniciativas do Dulcinéia Catadora têm sempre o compromisso com a distribuição do conhecimento e da renda, num ambiente de criatividade. O projeto, que tem o apoio do Movimento Nacional do Catadores de Recicláveis, trabalha com catadores de lixo, editando livros de contos e poesias com capas feitas de papelão comprado dos catadores a um real o quilo, quando eles normalmente o vendem a 30 centavos. As capas são pintadas à mão por filhos de catadores.
Agradeço e muito a Lucia Rosa por acreditar em livros/arte/humanidade.

¡Olé Arriba! ¡Llegó Gitanos! ¡Saludos a la caravana, y los hijos del viento! - minha homenagem ao saudoso Alberto Marsicano

¡Olé Arriba! ¡Llegó Gitanos! ¡Saludos a la caravana, y los hijos del viento!

Vagueamos pela Terra, nossos corações são plenos de júbilo e nossas almas plenas de sonhos (Provérbio cigano). 

Me emociono com este domingo, e como estou longe deste irmão e mestre, fica aqui minha homenagem ao saudoso Alberto Marsicano (recebi a notícia do desencarne dele: prefiro deixar este fragmento de um canto ancestral dele):

“El duende” – termo magístico utilizado pelo povo cigano para exprimir o poder mágico ou força que imanta certos artistas. É um poder, não uma atitude; é uma luta, não um conceito, e nenhuma emoção é possível sem sua mediação. 

Posso chamar de um pequeno trecho caminhando junto aos Filhos do Vento. Certamente outros detalhes de cunho magístico e religioso deveriam serem mencionados, mas como não é possível fixar o vento, o tempo escorre por entre os dedos e os carroções continuam sua jornada, e pode ser consultado/encontrado no livro “Os Ciganos na Umbanda” – Alberto Marsicano e Lurdes de Campos Vieira, (Madras).

*fragmento da palestra:“Os filhos do vento” & “O Romanceiro Cigano, do poeta espanhol Federico García Lorca” – com o poeta José Geraldo Neres, no Templo de Umbanda Pai Joaquim de Angola e Caboclo treme Terra, Dirigente Espiritual Mãe Zilda e Pai Pequeno Alexandre. Durante a FESTA ESOTÉRICA (10/07/2011)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Neres recomeçou a cantar: "MACUMBARIA POÉTICA"

José Geraldo Neres & Amigos= "MACUMBARIA POÉTICA").

Apresentado durante a apresentação do livro "Radovan Ivsic - Poesia Reunida", Lumme Editor, tradução de Eclair Antonio Almeida Filho, 1ª edição 2013.

Contando com a presença de AnnieLe Brun (Viúva do poeta Radovan Ivsic; importante escritora, poeta e crítica de arte/literatura francesa), e importantes acadêmicos e escritores brasileiros.
https://www.facebook.com/josegeraldoneres/posts/377810665658310

sexta-feira, 2 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Teatro empírico da Outra Margem do Rio"








Acabei de fazer a leitura completa do livro " Teatro empírico da Outra Margem do Rio", onde o autor, Caio Evangelista,  discorre de forma autobiográfica, sua trajetória no teatro, que coincide e se confunde em muito com a história do teatro em minha cidade, Mauá-SP.

Em muito momentos me diverti na leitura por estar de certa forma envolvido nos acontecimentos, tanto como protagonista, como antagonista, e muitas vezes como mero expectador dos fazeres da Cultura.

Confesso que as partes que gosto mais é quando o autor mergulha em sua infância, assim como mergulhou no Velho Chico e este quase o levou.

Das águas que sobraram em suas tripas, tece o que de fato é memorável na vida, as histórias de sua Vó Redonda, pisando paçoca de pilão, que me deixou aguado até agora de vontade de comer desta paçoca com uma café bem forte. De ver a velhinha pitando no borralho, como fazia a madrinha de meu pai. Igual como todas as avós negras e índias deste Brasil afora.

Das suas traquinagens de menino, e de quanto estas raízes matutas lhe ensinaram sobre a modernidade do teatro. Se fosse Caio fazia de escrever sobre este menino cheio d'água, de pés de barro, feito um personagem africano de Mia Couto. Como vivido em um conto de Guimarães Rosa, sair em uma canoa ria acima e rio abaixo. Vingar-se da represa que abarcou e engoliu sua casa de nascença.

Enfim, a leitura do livro flui de forma quase natural, e apenas em um momento ou outro fica enumerativa de acontecimentos, para depois se perder em lembranças da casa de seus pais, para mim os melhores momentos. Leitura muito recomendável, mesmo que aparentemente geograficamente localizada a narrativa, no entanto muitas coisas a torna universal, já que a grande história do mundo é o entrelaçamento de todas as histórias, e sua urdidura a poesia, que vai ser encontrada em muitos bons momentos neste livro.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Coisas deleitáveis e coisas abomináveis

Proponho aqui um divertido exercício literário, inspirado nesse texto http://sapateirosdepalavras.blogspot.com/2011/06/texto-de-paulo-mendes-campos.html, façamos uma lista de coisas abomináveis e de coisas deleitáveis, parafraseando Paulo Mendes Campos. Seguem minhas listas:

Coisas abomináveis

Filas quilométricas de qualquer coisa em qualquer ocasião; Trem ou metrô em horário de pico; Berreiro de criança; Equação matemática; Cartão quando dá erro na leitura; Testemunha de Jeová batendo na porta em pleno domingo de manhã; Música sertaneja; Programação de domingo na Tv aberta; Programa humorístico da globo; Barata;Trabalhar no feriado ou ter de ficar depois do horário de expediente; Obrigações de qualquer espécie; Discurso de miss; Queda de energia elétrica; Morte de artista excepcional; Velho reclamando; Homem que bate em mulher; Trânsito lento; Correios em greve; Preencher gabaritos; Pia entupida; Sala de espera de hospital; Gente racista, sobretudo tentando justificar ou encobrir o racismo; Pernilongo;Perda de tempo;Ataque de asma; Injeção; Novelas; Demagogia; Senso comum; Resfriado; Afetações de qualquer espécie; Jogador de futebol dando entrevista ou “atuando” em comercial; Artistas decadentes se elegendo para cargos políticos; Eleitores desses artistas decadentes; Comercial da coca-cola com mensagem “altruísta”; Declaração de amor em carro de som pelo microfone com Love songs ao fundo no último volume; Sua santidade o Papa “contra métodos contraconceptivos, células tronco e etc” e fazendo vista grossa para a prática de pedofilia na igreja ; Conjuntivite; Conservadores de direita praticantes; Fofoqueiros, puxa-sacos, bundões, pelegos e Cia Ldta; Ostentação; Fingimento; Difamação, sobretudo quando é a nossa;Mau gosto artístico; Trabalho em grupo com idiotas; Negros nazistas, mulheres machistas e pé rapados capitalistas;Ralar os joelhos; Dívidas, Danos ou prejuízos; Bulliyng; Decepção amorosa; Unha lascada; Trabalhar em call Center; Distorção da verdade ou eufemismos; Inversão de valores; Celular fora de área; Calor excessivo; Pés gelados; Fazer a social com quem a gente não tem afinidade.


“Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro.”

Machado de Assis

Coisas deleitáveis

Cheiro de café fresco; Sacar FGTS; Ser aplaudido com entusiasmo e sinceridade; Brigadeiro de panela; Rock’n’roll; Rapaz bonito; Mar à noite; Beijar (a qualquer hora do dia); Sorvete; Pipoca doce; cochilo no sofá; Tocar numa borboleta; Publicar um livro antes dos 25; Amora do pé; Lua cheia; Peça dramática; Filme de suspense; Livro de romance, sobretudo os proibidos, de autores que estiveram na lista no índex; Roseira branca; Roupa de ficar em casa; Calçar chinelos; Gente culta; Parque do Ibirapuera; Álbum branco dos Beatles; Caixa de giz de cera novo; Bolo de milho; Banho de chuva no verão; Devorar lata de leite condensado; Bohemian Rhapsody do Queen; Conhecer um genttle man; Gato dormindo ou ronronando; Ser jovem; Fazer poesia; Solo de guitarra; Causar polêmica; Ter habilidades raras ou diferentes como ser ambidestro ou ter excelente pontaria; Soprar dente-de-leão; Desenhar; Cafuné; Gente que ainda diz “senhorita”, “por obséquio” e “sua pessoa”; Fascinação instrumental no violino; Carinhoso na voz de Elis; Balanço de parque; Batata frita; Sessão de cinema com sala quase vazia; Mascar chiclete; Cheiro de novo; Porcelana de dois séculos intacta; Paranapiacaba; Filhote de cachorro; Coincidências; Maria Bethância declamando poesia; Caetano Veloso “puto”(vamo botar essa porra pra funcionar!) ; Roupa cheirando a amaciante; Prédios antiqüíssimos de São Paulo; Desenho animado dos anos 80; Aula de educação sexual na quinta série; Comer doce escondido; Óculos Ray-ban; Dar gargalhada; Bala 7 belo sabor framboesa; Rabiscar folha de papel em branco; Poemas eróticos dos mais sujos de Bocage; Bélle époque; Pintura de Monet; Lápis apontado na faca; Pinhão cozido; Quaresmeira em flor; Comer fora; Ser autodidata em alguma coisa; Amendoim torrado;Começo de namoro; Gente imparcial até mesmo quando se trata da família: “Meu irmão? Aquele ali não vale o feijão que come”; Cheiro de naftalina; Dormir, sobretudo após ter feito sexo; encontrar desafeto na rua e perceber que ele está decadente; Fazer o que se tem vontade, seja fazer uma greve ou apenas mudar um móvel de lugar;Falar o que pensa; Escrever aquilo que bem entender, inclusive esse texto.

Lidiane Santana

Texto de Paulo Mendes Campos

Coisas abomináveis

Sala de espera de ministério público, de autarquia, de banco, sobretudo quando uma réstia de sol morno e antipático bate em nossa cara; atraso de avião, para reparos no motor, sobretudo quando se está sozinho em aeroporto estrangeiro, com um alto-falante incompreensível em qualquer idioma; trem que atrasa na própria estação de partida, sobretudo da Estrada de Ferro Central do Brasil no primeiro dia de carnaval (isto já me aconteceu, é claro); menino de nariz sujo (menina então nem se fala); gol do América no último minuto contra o Botafogo ou gol do Escurinho de pé direito; preencher aquele formulário hermético e algébrico da Divisão do Imposto de Renda, sobretudo quando não se tem renda, mas vai pagar assim mesmo; a penúltims hora em qualquer viagem e em qualquer tipo de transporte; torneiras secas há mais de três dias (todo carioca contemporâneo tem crédito no Paraíso); verificar que o prato pedido no restaurante está intragável; garçom que fica malcriado quando quer gorjeta além dos 10% já incluidos na conta; uísque ostensivamente falsificado; domingo às seis horas da tarde, sobretudo se há resenha esportiva, mas a televisão está enguiçada; técnico de televisão; anúncio de televisão; Marcom; buscar um registrado no Colis Postaux; desembaraçar bagagem na alfândega; delegacia de polícia, em qualquer circunstância; prostituta sem dentes; falso malandro; falso valente; sujeito falsamente importante; fila de elevador e elevador propriamente dito; bafo de respiração em nossa nuca dentro do elevador; um arábe (dizia Ovalle) vestido a caráter dentro de elevador; enguiço de elevador e a gente lá dentro; moça que não sabe que mulher só pode falar um palavrão por semana; aviso de banco; gerente de banco (o subgerente é pior) quando nos diz com sarcasmo: "Sempre os eternos 10%!"; tinta quando acaba se a gente já está enchendo a promissória (tem de pedir a caneta do gerente emprestada); pobre bajulando rico; rico bajulando pobre; rir com exagero da anedota contada pelo patrão; campainha de telefone de madrugada; esperar um telefonema com ansiedade e, vai atender, é engano; enfarte de pessoa da nossa idade; caixa, quando nos diz para passar no dia seguinte (no dia seguinte talvez ele nos pague, mas com uma cara enjoadíssima de quem concede um favor excepcional); cachorro latindo em nossas pernas; quintal com papagaio e macaco; discurso em geral, mas, notadamente, os empolados e compridos; cara de falsa modéstia; tratar de papéis para a compra de imóvel; processo na Caixa Econômica; eletrola quando fica biruta; vacina antivariólica; rumores de epidemia de varíola; apartar briga em espanhol; brigar em francês; amar em alemão; ser puxado por alguém para dançar; enjôo de mar (mais forte que amor de mãe, diz Gilberto Amado); jornal largando tinta; pagar a mesma conta duas vezes (o poeta Keats refere-se a isso com uma sacrossanta indignação); acordar com gripe; dor de dente, sobretudo depois de trinta anos; poesia declamada por mulher gorga ou magra demais; chapéu à nossa frente no teatro; jantar perto de pessoa que nos vai devorando as fritas; "quer me dar só uma pontinha de bife?"; ser chamado de "bichão" ou "batuta" por pessoa que não tem intimidade conosco; beliscão; o segundo beliscão; practical jokes, sobretudo se o idioma é do Texas; topada; agentes de seguros (porque evidentam dizer-nos a palavra morte e só pensam nisso); conta de boate, sobretudo quando o cavalheirismo nos obriga a pagar sem checar o roubo; policial empurrando a gente de leve (com força é mais que abominável); batedores de motocicleta, sobretudo no verão, no dia que a gente não tomou banho porque faltou água; os serviços em geral da Companhia Telefônica; a telefonista-chefe do serviço interurbano; demora aproximada de seis horas porque há alguns circuitos com defeito; precisar inadiavelmente de táxi em noite de chuva; esquecer a carteira em casa; perder cardeneta de endereços; isqueiro quando acaba o fluido mas há ainda uma tênue esperança; perder dinheiro; achar dinheiro e o dono aparecer na mesma hora; comerciante quando nos aconselha a comprar logo porque vai subir de preço; chimpanzé metido a besta; araponga em tarde de dor-de-cotovelo; serra circular em dia de ressaca; ressaca em dia de serra circular; queda ridicula em via pública; estar com vontade de fumar e nem o motorista do táxi tem fogo; amigo que não compra cigarros para fumar pouco; ser apresentado mais de 13 vezes a uma mesma pessoa; não reconhece uma pessoa que já nos foi apresentada; pessoa que nos diz "você não se lembra de mim", e não contra; batida de automóvel na hora do engarrafamento; mão suada; festas juninas; sujeito que adora falar mal língua estrangeira; sujeito que fala bem demais língua estrangeira; mulher feia falando mal de mulher bonita; o abominável homem das neves.

Coisas deleitáveis

Depois de ter publicado uma lista de coisas abomináveis, pediram-me para fazer uma relação de coisas deleitáveis. Pois não:

Coleção de revistas de antes da Primeira Grande Guerra, em feriado chuvoso; cigarro depois do café da manhã, sobretudo de manhã fria, no interior; água de geladeira; às quatro horas da manhã, depois de uma festa; arrancar os sapatos depois do baile; andar descalço em relva úmida; breakfast em cama de hotel; cochilar em viagem de automóvel com rádio tocando canções napolitanas; montar cavalo bonito; banho de cachoeira; banho de mar em manhã de verão na praia de Boa Viagem; grande partida de futebol à noite no Maracanã; dizer baixinho versos de Verlaine em madrugada de romantismo e vaga melancolia; ganhar discos de presente (João!); ganhar uísque de presente; conhecer gente que conheceu Machado de Assis; sombra de árvore; um bom papo em carro-restaurante; dormir cansando; viagem de segunda classe em transatlântico de luxo; lago de águas límpida; andar de canoa em rio grande; acertar um sem-pulo de canhota; acertar tiro ao alvo, sobretudo garrafa; jogar novela de Conrad no mar; música de João Sebastião quando a manhã é infinita; canivete alemão; aroma de madeira; passarinho colorido quando pousa perto da gente; oferecer bebida a uma senhora de idade e ela aceitar com prazer; octogenário lúcido e lépido; casa na qual morou quem admiramos muito; tulipas e narcisos à beira do Avon; batucada bem batida; batida bem batucada; flamenco bem dançado; comida chinesa; salto acrobático que pode causar a morte do artista; crawl com estilo; time de basquetebol americano; passe de Didi; gol de Pelé; drible de Garrincha; lembrar os grandes craques argentinos do passado; rasgar papéis inúteis; copiar caderneta de telefones; dinheiro que não se esperava; dinheiro quando é mais do que se esperava; fisgar um peixe; ver Raimundo Nogueira diante duma travessa de caranguejos; cartomante ou palmista quando acerta alguma coisa; geladeira nova, sobretudo a primeira; mudar para apartamento maior; andar de bailarina; roupa de palhaço de circo; o olhar superior do tigre; vento de montanha; tomar ponche de rum nos Alpes; canja de galinha dum restaurante subterrâneo que existe em Hamburgo; catedral góticas; igrejas barrocas de Ouro Preto; o adro da igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei; jabuticaba de Sabará; ar refrigerado; lareira em terra fria; milho cozido; bateria de cozinha novinha em folha; trazer para casa um queijo enorme; dar boneca para menina pobre; menino preto tomando sorvete; comer mexido à meia-noite, desembarcar de avião; álbum de pintura, sobretudo Paul Klee; brincar com argila; sol da manhã no inverno; foto em que a gente fica mais bonito do que é; máquinas de escrever, nova; lenço de linho; atlas; mapas antigos; passear de jangada; telefonar para outro país; descobrir, quando o cigarro acaba, que a gente ainda tem um cachimbo e uma lata de fumo; a palavra cognac, aprender o que é Weltanschuung aos 20 anos; xícara de porcelana; taça de cristal fino; facão de cozinha bem amolado; aprender que faca de pão é o instrumento ideal para descascar abacaxi; paradoxo de Bernard Shaw; cesta de cajus do Nordeste; hortaliças frescas em cima do mármore; aquele coelho de relógio em Alice no País das Maravilhas; lembrar de repente um episodio da infância; mãe; ser cumprimentado com intimidade pelo ministro da Guerra; passagem de graça para a Europa; achar dinheiro; ilha fluvial coberta de vegetação; piracema; baleia; balança de farmácia; adega de vinho; comer pão saído do forno; brincar de cozinhar; matar aula; votar bem cedinho e ter o dia todo para não fazer nada; pensar na confusão que havia em Jerusalém no tempo de Cristo; “sua pressão está ótima”; “no fígado o senhor não tem nada”; “assine o recibo nesta linha”; bisbilhotar biblioteca dos outros; discos dos velhos tempos; varanda de fazenda; pátio espanhol; cisterna; água nascente; a Floresta Negra; montanha-russa; water-shoot; apanhar com a mão a laranja que nos lançaram de longe; notar de repente que uma pessoa muito feia tem uma voz muito bonita; retirar o gesso; ducha escocesa; demonstrar teorema de geometria; mata de pinheiros; álamo; conversar com um velhinho que só entende de árvores; rever Luzes da cidade; o andar de Michèle Morgan; o sorriso de Ingrid Bergman; a feiúra de Katharine Hepburn; encher o filtro com batida de limão em dia de feijoada; ser apresentado a um rio famoso; ver uma raposa na estrada; flores; frevo; escola de samba; aquarela de criança; bola de couro nova; ganhar uma bola de borracha maciça na aula de catecismo; a vida de São Francisco; claustro; caixa de ferramentas; janelas para o mar; luvas de inverno; ter em casa uma poltrona de humorista inglês; espelho do século passado; quadro de Braque e de Morandi; motorista de táxi gentil; médico beberrão; crescimento de árvore plantada por nós; descobrir semelhança entre pessoas e objetos (por exemplo, entre uma lâmpada guarnecida por uma armação de ferro e o pai de Hamlet); o Rio visto de avião; fotografia antiga; descobrir uma frase que nos revele; colega de boa memória, recordando coisas do colégio; gente engraçada; gente que sabe imitar os outros; esquilo roendo avelã; Tarzã, o filho das selvas; Sherlock Holmes; mocinho que não erro tiro; o Blue Boy aos 17 anos; o Coração de De Amicis aos 14; Papini aos 18; o Jeca Tatu aos 7; Gulliver e Robinson Crusoé em edições juvenis aos 13; Pinóquio em qualquer idade; ver marceneiro trabalhar; fogueira na praia, à noite; dormir em barraca; estar vivo; descobrir que viver é de graça; poder falar a verdade; os momentos que precedem o jantar em casa de amigos; chegar em casa depois de viagem; ficar de short o dia inteiro; coceira de bicho-de-pé; ler na cama; casaco de camurça; ver jogo de futebol, na televisão, deitado; o primeiro contato com Pepino, o Breve; Luís Lopes Coelho; fazer a própria lista de coisas deleitáveis.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Gambiarra Literária: exercício de criação 13

Gambiarra Literária: exercício de criação 13: "E voltamos depois de nosso hiatus... que teve uma boa causa, hehehe. Mas vamos ao que interessa... Exercício de de criação número 13 ..."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mácula - Lidiane Santana - Clube de Autores - 2011


http://www.clubedeautores.com.br/book/43769--Macula

Sobre o livro: "Mácula" - Lidiane Santana - Clube de Autores - 2011

Quando fez o prefácio de meu segundo livro, a amiga e poeta Katsuko Shishido Pastore, colocou-se a respeito da coragem de se lançar um livro de poemas, em meio a aparentemente tantos livros publicados, por que mais um entre muitos? Já nos idos de 1949, com as cinzas ainda quentes da guerra e seus horrores, Theodor Adorno nos alerta se é possível fazer o poema em tempo de penúria. Se depois dos campos de concentração e extermínio era plausível ainda o poema.

E digo: não só é possível, como necessário. Publicar um livro de poesia, apesar de tudo por vezes estar contra, é um ato de coragem. A poesia não é salvacionista no sentido de regenerar o tecido morto da sensibilidade de todas as pessoas. Mas ao fazê-lo, o poema, já em si um ato de rebeldia, criamos um rito mágico de anunciação do novo. Segundo a kabala, o verbo cria o mundo, mesmo em muitos mitos de criação, é a palavra a força geradora, é o ato criador dos deuses. Quando vejo uma poeta mulher compondo seus versos, fico muito mais feliz, pois é a fêmea a geradora motriz de mundos. É feminino o processo de criação do poema, algo como uma gestação de palavras, para depois em um parto dar-lhe forma no papel.

O livro Mácula tem um sutil movimento vertical, o movimento de queda para o fundo do abismo, rememora os poetas do século XIX e sua tristeza filosófica. Trabalha com poemas curtos, dando uma certa velocidade vertiginosa à queda para o fundo, para o escuro, para um certo desalento. O que é ótimo. Vivemos em uma sociedade em que a felicidade não é mais uma conquista, mas uma obrigação pesada. Ao dar vazão para sua tristeza íntima, Lidiane Santana, se torna porta voz involuntária dos que querem seu direito à tristeza, ao lúgubre, aos escuros, ao invés deste luminoso mundo novo em que estacionamos. Nas palavras da própria escritora, um momento para tomar um "chá com fantasmas".

Convido ao leitor, para ter um cuidado especial com as entrelinhas, a urdidura do tecido, o fio solto, que a cultura árabe deixa em seus tapetes, para provar que a onisciência é reservada a deus. O fio de Ariadne a desvelar os labirintos. Nestes poemas não encontrarão contos de fada açucarados, ou lições de moral, bravatas, ou algo muito fácil de digerir. É o que não está escrito que intriga. É na incompletude que somos todos humanos, e no entanto é na poesia que não nos promete nada, que talvez encontremos nosso verdadeiro eu: o espelho de Narciso e a palma de seu martírio pelo belo.

É necessário que nos enamoremos do abismo, até para poder domesticá-lo em nós.





Edson Bueno de Camargo
poeta, menestrel de impossibilidades

terça-feira, 26 de abril de 2011

SAPATOS, ETC.

Os sapatos, de preferência velhos e informes, com irregulares placas de barro ou apenas foscos, são muito mais belos que os sapatos lustradinhos, brilhantes que nem parquês. Qual o esteta que não sabe dessas coisas? Nem há de ser por outro motivo que os escultores jamais passam a ferro as calças das suas estátuas. Aqui em Porto Alegre só conheço uma delas, com caprichosos vincos de bronze - é o que logo se nota, porque não parece natural. Natural é a natureza. E a natureza é hippie. Onde já se vou uma árvore ridiculamente simétrica? E qual foi a Brasília que jamais teve esse incomparável imprevisto "ao Deus dará" de uma Itaoca? Bem, nunca falta um leitor para indagar que moralidade a tirar disso tudo... Nenhuma! Eu estava falando de beleza.

Mário Quintana
(Caderno H)